O mercado de previdência privada no Brasil atingiu um marco histórico em 2025, com um patrimônio acumulado de R$ 1,7 trilhão, refletindo tanto oportunidades quanto incertezas.
Esse crescimento de 13% em relação a 2024 demonstra a resiliência do setor, mas mascara uma realidade de contração nas contribuições que exige atenção imediata.
A queda de 19,6% nos aportes totais até novembro de 2025, somando R$ 142 bilhões, sinaliza desafios profundos que moldarão o futuro financeiro dos brasileiros.
Até maio de 2025, o patrimônio do setor cresceu 13%, alcançando R$ 1,7 trilhão, um número impressionante que evidencia sua importância na economia.
No entanto, as contribuições caíram drasticamente, com aportes de R$ 134,2 bilhões de janeiro a outubro, representando uma redução de 18,6%.
Os resgates aumentaram 15% para cerca de R$ 128 bilhões no mesmo período, resultando em uma captação líquida de apenas R$ 2 bilhões, uma queda alarmante de 96,3%.
Esses dados destacam um cenário onde o crescimento patrimonial não se traduz em entradas de capital sustentáveis.
A imposição do IOF de 5% sobre aportes em VGBL acima de R$ 300 mil por seguradora, a partir de meados de 2025, gerou um impacto significativo.
Essa medida, que se expande para R$ 600 mil em 2026, causou uma queda de 40% na receita de VGBL entre agosto e setembro.
A alta Selic, mantida em 15%, incentivou resgates para investimentos de curto prazo, exacerbando a pressão sobre o setor.
Outros fatores, como o efeito etário natural, também contribuíram para os resgates líquidos negativos, que totalizaram R$ 4,2 bilhões acumulados em 2025.
O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) domina o mercado, representando 92,2% da arrecadação até maio de 2025, com R$ 67,8 bilhões.
Esse plano possui 8,5 milhões de contratos, correspondendo a 63% do total, e é a escolha predominante para 90% da indústria.
O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) tem uma participação menor, com 6,3% da arrecadação e 3,1 milhões de planos.
Planos tradicionais respondem por apenas 1,5% da captação, mas ainda têm 2 milhões de contratos, mostrando diversidade nas opções disponíveis.
Em resposta aos desafios, as seguradoras adotaram estratégias agressivas, com a portabilidade em alta, facilitando a migração de recursos entre instituições.
Principais receptoras até setembro de 2025 incluíram XP, Itaú, BTG Pactual, Bradesco e Icatu, enquanto as cedentes foram BrasilPrev, Icatu, Bradesco, SulAmérica e XP.
Líderes como a BrasilPrev, com R$ 454 bilhões em ativos e 27% de market share, focam em campanhas promocionais e expansão de fundos.
Outras empresas, como a XP, planejam R$ 11 bilhões em captação líquida para 2025, reforçando coberturas adicionais como pecúlio e pensão.
A Reforma da Previdência de 2019 introduziu mudanças significativas, como idade mínima e cálculo baseado em 100% das contribuições, reduzindo a taxa de reposição do INSS.
Isso reforçou a necessidade de complemento privado para manter o padrão de vida na aposentadoria, tornando a previdência privada ainda mais crucial.
O mercado segurador prevê uma expansão de 8% em 2026, apesar dos obstáculos, mostrando resiliência e adaptabilidade.
A previdência representa 13,7% do PIB, destacando seu papel central na economia brasileira e no planejamento financeiro pessoal.
Para 2026, o setor enfrentará a ampliação do IOF para R$ 600 mil, o que pode intensificar os resgates e impactar a captação.
Apesar disso, há previsão de crescimento de 8%, impulsionado por maior apetite ao risco em fundos de pensão e demanda por coberturas adicionais.
Tendências incluem migração para ativos isentos ou no exterior, bem como inovações em produtos que combinem investimento e proteção.
O diálogo contínuo com reguladores busca equilibrar tributação e incentivos para poupança de longo prazo.
O público-alvo consiste em 11,2 milhões de brasileiros, equivalentes a 7% da população adulta, que buscam renda complementar à aposentadoria.
A cultura predominante é de aportes eventuais, como heranças ou vendas de imóveis, em vez de contribuições regulares, o que afeta a estabilidade do setor.
Apenas 78 mil participantes estão na fase de recebimento, indicando um setor jovem com potencial para crescimento futuro.
Há uma tendência crescente de busca por diversificação e produtos que ofereçam segurança e retorno ajustado ao perfil de risco.
As perspectivas incluem esforços para revogar o IOF, argumentando que ele penaliza a poupança de longo prazo e afeta a classe média, não apenas grandes fortunas.
O setor deve focar em educação financeira para promover contribuições regulares e planejamento consistente, essenciais para a sustentabilidade.
Com adaptações estratégicas, como portabilidade e inovações, a previdência privada pode continuar a ser um pilar para a segurança financeira no Brasil.
Olhando para o futuro, a integração com tecnologias e a resposta a mudanças demográficas serão chave para superar os desafios atuais.
Referências