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Previdência Privada: Um Olhar para o Futuro

Previdência Privada: Um Olhar para o Futuro

14/01/2026 - 06:19
Marcos Vinicius
Previdência Privada: Um Olhar para o Futuro

O mercado de previdência privada no Brasil atingiu um marco histórico em 2025, com um patrimônio acumulado de R$ 1,7 trilhão, refletindo tanto oportunidades quanto incertezas.

Esse crescimento de 13% em relação a 2024 demonstra a resiliência do setor, mas mascara uma realidade de contração nas contribuições que exige atenção imediata.

A queda de 19,6% nos aportes totais até novembro de 2025, somando R$ 142 bilhões, sinaliza desafios profundos que moldarão o futuro financeiro dos brasileiros.

Introdução ao Mercado: Crescimento e Retração

Até maio de 2025, o patrimônio do setor cresceu 13%, alcançando R$ 1,7 trilhão, um número impressionante que evidencia sua importância na economia.

No entanto, as contribuições caíram drasticamente, com aportes de R$ 134,2 bilhões de janeiro a outubro, representando uma redução de 18,6%.

Os resgates aumentaram 15% para cerca de R$ 128 bilhões no mesmo período, resultando em uma captação líquida de apenas R$ 2 bilhões, uma queda alarmante de 96,3%.

Esses dados destacam um cenário onde o crescimento patrimonial não se traduz em entradas de capital sustentáveis.

  • Patrimônio acumulado: R$ 1,7 trilhão até maio de 2025.
  • Crescimento anual: 13% em relação a 2024.
  • Queda nas contribuições: 19,6% até novembro de 2025.
  • Resgates em alta: 15% de crescimento até outubro.

Desafios Atuais: IOF e Selic Alta

A imposição do IOF de 5% sobre aportes em VGBL acima de R$ 300 mil por seguradora, a partir de meados de 2025, gerou um impacto significativo.

Essa medida, que se expande para R$ 600 mil em 2026, causou uma queda de 40% na receita de VGBL entre agosto e setembro.

A alta Selic, mantida em 15%, incentivou resgates para investimentos de curto prazo, exacerbando a pressão sobre o setor.

Outros fatores, como o efeito etário natural, também contribuíram para os resgates líquidos negativos, que totalizaram R$ 4,2 bilhões acumulados em 2025.

  • Impacto do IOF: Queda de 40% na receita de VGBL.
  • Resgates líquidos negativos: R$ 3,1 bilhões em outubro.
  • Previsão de perda: R$ 500 bilhões em 10 anos para o setor.
  • Selic alta: 15% impulsionando renda fixa de curto prazo.

Tipos de Planos: VGBL vs. PGBL

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) domina o mercado, representando 92,2% da arrecadação até maio de 2025, com R$ 67,8 bilhões.

Esse plano possui 8,5 milhões de contratos, correspondendo a 63% do total, e é a escolha predominante para 90% da indústria.

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) tem uma participação menor, com 6,3% da arrecadação e 3,1 milhões de planos.

Planos tradicionais respondem por apenas 1,5% da captação, mas ainda têm 2 milhões de contratos, mostrando diversidade nas opções disponíveis.

  • VGBL: 92,2% da arrecadação, 63% dos planos.
  • PGBL: 6,3% da arrecadação, 23% dos planos.
  • Planos tradicionais: 1,5% da captação, 15% dos planos.
  • Total de planos: 14 milhões, com 11,2 milhões de participantes.

Estratégias e Competição: Portabilidade e Inovações

Em resposta aos desafios, as seguradoras adotaram estratégias agressivas, com a portabilidade em alta, facilitando a migração de recursos entre instituições.

Principais receptoras até setembro de 2025 incluíram XP, Itaú, BTG Pactual, Bradesco e Icatu, enquanto as cedentes foram BrasilPrev, Icatu, Bradesco, SulAmérica e XP.

Líderes como a BrasilPrev, com R$ 454 bilhões em ativos e 27% de market share, focam em campanhas promocionais e expansão de fundos.

Outras empresas, como a XP, planejam R$ 11 bilhões em captação líquida para 2025, reforçando coberturas adicionais como pecúlio e pensão.

  • Portabilidade: Alta competição entre seguradoras.
  • Líderes: BrasilPrev com 27% de market share.
  • Inovações: Campanhas com pontos Livelo e viagens.
  • Diálogo setorial: Busca pela revogação do IOF com governo e Congresso.

Integração com Previdência Social: Reforma de 2019

A Reforma da Previdência de 2019 introduziu mudanças significativas, como idade mínima e cálculo baseado em 100% das contribuições, reduzindo a taxa de reposição do INSS.

Isso reforçou a necessidade de complemento privado para manter o padrão de vida na aposentadoria, tornando a previdência privada ainda mais crucial.

O mercado segurador prevê uma expansão de 8% em 2026, apesar dos obstáculos, mostrando resiliência e adaptabilidade.

A previdência representa 13,7% do PIB, destacando seu papel central na economia brasileira e no planejamento financeiro pessoal.

Tendências Futuras: 2026 e Além

Para 2026, o setor enfrentará a ampliação do IOF para R$ 600 mil, o que pode intensificar os resgates e impactar a captação.

Apesar disso, há previsão de crescimento de 8%, impulsionado por maior apetite ao risco em fundos de pensão e demanda por coberturas adicionais.

Tendências incluem migração para ativos isentos ou no exterior, bem como inovações em produtos que combinem investimento e proteção.

O diálogo contínuo com reguladores busca equilibrar tributação e incentivos para poupança de longo prazo.

  • Previsão 2026: Expansão de 8% no setor.
  • Tendências: Maior risco em multimercados e bolsa.
  • Migração: Para ativos isentos ou internacionais.
  • Inovações: Coberturas de risco integradas a planos.

Público e Comportamento: Perfil do Investidor

O público-alvo consiste em 11,2 milhões de brasileiros, equivalentes a 7% da população adulta, que buscam renda complementar à aposentadoria.

A cultura predominante é de aportes eventuais, como heranças ou vendas de imóveis, em vez de contribuições regulares, o que afeta a estabilidade do setor.

Apenas 78 mil participantes estão na fase de recebimento, indicando um setor jovem com potencial para crescimento futuro.

Há uma tendência crescente de busca por diversificação e produtos que ofereçam segurança e retorno ajustado ao perfil de risco.

Perspectivas: Revogação e Sustentabilidade

As perspectivas incluem esforços para revogar o IOF, argumentando que ele penaliza a poupança de longo prazo e afeta a classe média, não apenas grandes fortunas.

O setor deve focar em educação financeira para promover contribuições regulares e planejamento consistente, essenciais para a sustentabilidade.

Com adaptações estratégicas, como portabilidade e inovações, a previdência privada pode continuar a ser um pilar para a segurança financeira no Brasil.

Olhando para o futuro, a integração com tecnologias e a resposta a mudanças demográficas serão chave para superar os desafios atuais.

Marcos Vinicius

Sobre o Autor: Marcos Vinicius

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