As agências de rating desempenham função central no mercado financeiro, servindo como termômetro de risco de crédito e influenciando decisões de investidores ao redor do mundo.
Desde o início do século XX, quando John Moody publicou sua primeira análise de títulos ferroviários em 1909, as agências de rating vêm ganhando relevância. Inicialmente focadas em empresas dos EUA, elas se expandiram globalmente nas décadas seguintes, acompanhando o crescimento dos mercados de dívida pública e privada.
No entanto, foi a crise financeira de 2008 que expôs falhas nas metodologias de avaliação, levando a reformas regulatórias nos EUA e na Europa. A Dodd-Frank Act, por exemplo, impôs maior transparência e supervisão às principais agências.
O processo de análise de crédito envolve várias etapas, desde a contratação até o monitoramento contínuo.
Para sistematizar a análise, geralmente é usada uma tabela de fatores:
Cada agência utiliza sua própria escala. As mais conhecidas—Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch—classificam de AAA a D, sendo que ratings acima de BBB- são considerados grau de investimento, e abaixo, títulos especulativos.
Por exemplo, a Petrobras recebeu nota BB+ com perspectiva estável em suas emissões internacionais, o que reflete avaliação moderada de risco e juros mais elevados em comparação a emissores investment grade.
As decisões das agências de rating repercutem em diversos aspectos do mercado:
Dados de mercado indicam que as “big three” detêm cerca de 95% do mercado global de ratings, o que confere enorme poder de influência sobre custos de financiamento e alocação de investimentos.
Apesar de seu papel, as agências enfrentam críticas relevantes:
Reformas propostas incluem maior supervisão regulatória, segregação entre áreas de análise e comercialização, além do uso de modelos alternativos baseados em inteligência artificial e big data para aprimorar previsões.
As agências de rating são ferramentas valiosas, mas devem ser utilizadas de forma complementar à análise própria. Para investidores e emissores, sugerimos:
Dessa forma, será possível tomar decisões mais informadas, equilibrando risco e retorno em suas operações financeiras. As agências de rating continuarão a evoluir, integrando novas tecnologias e metodologias, mas seu valor repousa sempre na capacidade de fornecer opiniões especializadas que complementem sua própria análise.
Referências