Em um contexto global de preocupações ambientais e sociais, o Brasil emerge como protagonista na adoção de práticas financeiras responsáveis, demonstrando que é possível aliar retorno econômico a impacto positivo no planeta.
Este artigo explora os principais indicadores, políticas e tendências que têm impulsionado o crescimento dos investimentos sustentáveis no país, além de oferecer insights estratégicos para investidores, empresas e agentes públicos que buscam contribuir para uma economia cada vez mais resiliente e inclusiva.
Nos últimos doze meses, o mercado brasileiro de fundos sustentáveis, incluindo fundos de Investimento Social (IS) e critérios ESG, apresentou um crescimento de 59% nos 12 meses, alcançando um patrimônio líquido de R$ 52,3 bilhões em outubro de 2025.
O número de produtos disponíveis subiu 6,9%, totalizando 269 fundos, dos quais 72% são categorizados como IS. Este movimento reflete a diversificação do portfólio e a oferta de soluções financeiras alinhadas a objetivos socioambientais.
A captação líquida em 2025, até outubro, chegou a R$ 11,4 bilhões, uma alta de 31% em relação ao ano anterior. Atualmente, 52 gestoras oferecem fundos IS e 27 dispõem de produtos ESG, demonstrando o empenho do setor financeiro em atender à demanda por investimentos responsáveis.
Em relação aos segmentos, os fundos de renda fixa lideram com R$ 34,2 bilhões, impulsionados por títulos verdes como debêntures, CRIs e CRAs, um aumento de 170,7% em comparação a julho de 2024. Os fundos de ações somam R$ 5,1 bilhões, enquanto os multimercados alcançam R$ 2,7 bilhões.
O avanço do mercado sustentável conta com robustas iniciativas públicas. O Programa Eco Invest Brasil, em seu terceiro leilão, homologou R$ 15 bilhões em capital público, mobilizando R$ 53 bilhões em equity privado para startups e PMEs, frente a uma demanda de R$ 80 bilhões.
A alocação desses recursos distribuiu-se da seguinte forma: 64,5% em transição energética, incluindo SAF e tecnologias para veículos elétricos; 16% para bioeconomia; 10,4% para infraestrutura verde e 9,1% para economia circular.
Outro destaque é o Fundo Clima, que teve seus recursos ampliados de R$ 400 milhões por ano para um montante projetado de R$ 51 bilhões em 2026, fortalecendo projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
O Projeto Carbon Countdown, liderado por grandes corporações e universidades, destina cerca de R$ 100 milhões para mapear estoques de carbono em todos os biomas brasileiros, garantindo dados fundamentais para políticas públicas e práticas corporativas de baixo carbono.
À medida que a conscientização sobre ESG se consolida, surgem novas frentes de atuação e investimento que prometem transformar setores estratégicos da economia.
Segundo relatório da XP, as cinco principais tendências para os próximos anos são:
Além disso, a tabela abaixo sintetiza detalhes e projeções para cada tendência:
No cenário internacional, a reação anti-ESG observada em 2025 exige uma abordagem sistêmica e de longo prazo, priorizando modelos de negócio resilientes e de baixo carbono.
Na Europa, 58% dos gestores aumentam alocações de impacto, com emissão de GSS bonds atingindo €3 tri, sendo €1,9 tri em verdes. Já na Ásia-Pacífico, a transição energética impulsiona recordes em dívida sustentável, com 80% dos ativos projetando crescimento em fundos ESG.
Entretanto, desafios globais persistem, como o desequilíbrio nos fluxos financeiros em direção à natureza e a necessidade de resultados concretos em iniciativas climáticas.
Instituições como o BNP Paribas trilham caminhos ao emitir títulos verdes, apoiar projetos de descarbonização e investir em soluções climáticas e de restauração ambiental.
Apesar dos avanços, o país enfrenta obstáculos, como o fenômeno do greenhushing – quando empresas evitam divulgar ações ESG por receio de críticas – e gargalos em infraestrutura de transmissão de energia.
Por outro lado, a crescente demanda por data centers, o potencial em bioeconomia e a alavancagem de parcerias público-privadas representam oportunidades valiosas para consolidar o Brasil no radar global de investimentos sustentáveis.
A materialidade corporativa reforça a necessidade de integrar princípios socioambientais à estratégia de negócios, migrando da narrativa à geração de impacto financeiro real e duradouro.
O avanço dos investimentos sustentáveis no Brasil reflete não apenas um movimento de mercado, mas uma mudança profunda na forma como encaramos o desenvolvimento econômico.
Ao combinar inovação, governança responsável e engajamento de diversos atores, podemos construir uma economia mais justa, resiliente e alinhada aos objetivos climáticos globais.
Este é o momento de agir: invista em projetos que gerem retorno financeiro e social, pressione empresas por maior transparência e apoie políticas públicas que fomentem a transição para uma economia de baixo carbono. Juntos, podemos construir um futuro melhor para as próximas gerações.
Referências