A adolescência é um período de descobertas e decisões que moldam o futuro financeiro dos jovens. Segundo pesquisas recentes, impressionantes 72% dos brasileiros de 16 a 24 anos declaram ter planejamento financeiro, o maior índice entre todas as faixas etárias. Esse dado revela um forte desejo de controle e segurança, mas também esconde desafios que precisam ser superados para manter e expandir esse progresso.
Por trás desse alto índice de planejamento financeiro existem fatores como o auxílio familiar e o acesso a aplicativos que facilitam o acompanhamento de gastos. No entanto, ainda há uma parcela significativa que não domina completamente conceitos de poupança e investimento, convivendo com falta de controle sobre as finanças e sujeição a altos juros em dívidas.
Apesar dos avanços no planejamento, a Geração Z enfrenta uma realidade de endividamento crescente. Dados da Serasa indicam que 11% dos jovens até 25 anos já estão endividados, percentual que dispara para 46% entre 25 e 29 anos. Esse cenário resulta em negociações de dívidas 49% mais altas em 2025, comparado ao mesmo período de 2024, evidenciando a necessidade urgente de estratégias de renegociação e educação.
Além do endividamento, muitos jovens atuam na informalidade — quase 38% realizam “bicos” ou trabalham por aplicativos — e enfrentam uma taxa de desemprego de 14,9% entre 18 e 24 anos, o dobro da média nacional. A fragilidade dessa base de renda, aliada a um nível de letramento financeiro que ainda está abaixo da média global no PISA 2022, configura um ambiente de instabilidade econômica precoce.
Mesmo diante dos desafios, observa-se uma grande disposição para aprender finanças e uma adesão crescente a métodos modernos de economia. A Geração Z mostra curiosidade sobre investimentos e usa a internet como principal fonte de aprendizado, o que pode ser potencializado por programas educacionais.
Esses indicadores refletem uma mentalidade voltada ao futuro, em que o jovem busca segurança para imprevistos e almeja conquistas como viagens, cursos e independência financeira. As tecnologias digitais, como aplicativos de orçamento e plataformas de investimento, têm papel fundamental nesse processo.
Para transformar curiosidade em conhecimento sólido, é fundamental integrar a educação financeira ao cotidiano escolar e familiar. Projetos que ensinam orçamento pessoal, juros simples e compostos, além de riscos e recompensas de diferentes ativos, já beneficiaram mais de 175 mil alunos em 2025. Essas iniciativas demonstram a importância da educação financeira formal desde cedo.
No âmbito legislativo, o PL 5.950/2023 propõe tornar obrigatória a disciplina transversal de educação financeira na educação básica, garantindo que cada aluno tenha contato com ferramentas práticas de gestão de recursos. Depoimentos de ex-alunos confirmam que esse conhecimento é transformador: eles relatam maior segurança para tomar decisões e menos ansiedade diante de imprevistos.
Ao adotar essas práticas, o jovem constrói uma base sólida para lidar com imprevistos e investir em seu futuro. A disciplina e o acompanhamento frequente geram reflexos positivos na autonomia e no planejamento de metas.
As pesquisas mais recentes apontam para um cenário promissor, em que 44% dos brasileiros planejam economizar em 2026, demonstrando um otimismo com metas financeiras apesar das adversidades. Ao mesmo tempo, há um paradoxo: curiosidade intensa, mas deficiência de base conceitual, o que exige foco em educação continuada.
Esse panorama reforça a necessidade de mesclar curiosidade e motivação inatas com aprendizado estruturado, proporcionando ao jovem ferramentas para avaliar riscos e oportunidades de forma consciente.
A adolescência é o momento ideal para semear hábitos que perdurarão por toda a vida financeira. A combinação de planejamento, educação adequada e uso inteligente da tecnologia cria as condições para que a Geração Z supere desafios e conquiste autonomia. É preciso fortalecer iniciativas em escolas e famílias para garantir que cada jovem tenha acesso a ferramentas e conhecimentos essenciais.
Ao adotar as dicas práticas e aproveitar as tendências emergentes, o adolescente estará melhor preparado para enfrentar o mercado de trabalho, lidar com imprevistos e construir patrimônio. O futuro financeiro do Brasil depende dessa geração, que carrega em suas mãos o poder de transformar dados estatísticos em histórias de sucesso e realização.
Referências