No Brasil, um em cada dois consumidores admite nunca planejar suas aquisições, gerando um ciclo de dívidas que compromete sonhos e projetos. Com 62% das compras não planejadas pela internet, o risco de pagar juros elevados e atrasar contas essenciais cresce a cada dia.
Compra por impulso é o ato de adquirir produtos ou serviços sem planejamento prévio, movido por gatilhos emocionais ou estímulos externos. Essa prática, muitas vezes, ultrapassa o simples desejo, transformando-se numa necessidade imediata.
Quando falamos de oniomania, encontramos um transtorno psiquiátrico crônico e debilitante, com acessos de gasto desenfreado que atingem cerca de 8% da população mundial. No Brasil, estudos indicam até 6% de prevalência clínica.
Segundo pesquisa, 62% dos consumidores fazem compras não planejadas pela internet, sendo que 10% assumem que compram por impulso quase sempre e 15% frequentemente. Esse comportamento impulsivo digital, aliado a promoções com urgência, alimenta uma prevalência crescente de endividamento entre famílias.
Na macroeconomia, os gastos do consumidor chegaram a R$ 235.568,72 milhões no terceiro trimestre de 2025, com projeção de R$ 247.856 milhões em 2026. Além disso, o crédito ao consumidor alcançou R$ 4.364.800 milhões em novembro de 2025, mostrando o peso dos financiamentos e parcelamentos.
Durante o "agosto infinito" sem feriados, muitos brasileiros acumulam boletos enquanto a pressão por consumo permanece. O resultado é um aumento de 0,2% no volume de vendas, mas queda de 10,4% em itens por compra.
No Carnaval 2026, 49% dos foliões afirmaram ter extrapolado seus gastos, e 32% ficaram com contas em atraso. A sedução do consumo em eventos sazonais leva muitos a esquecer do orçamento e buscar no comprar um escape para a ansiedade ou tédio.
Pacientes com oniomania relatam o alívio de um dia ruim ao clicar em "comprar agora", reforçando o alívio momentâneo de estresse que acompanha cada nova aquisição. Esse ciclo de prazer e culpa aprofunda a inadimplência.
As compras por impulso contribuem para que 77 milhões de brasileiros estejam inadimplentes, segundo o Serasa. 35% afirmam atrasar contas essenciais, enquanto 72% se arrependem de compras realizadas sem análise prévia.
As dívidas das famílias já correspondem a 36,5% do PIB, e 33% dos adultos reconhecem que a renda não cobre despesas mensais. Isso cria uma verdadeira bola de neve de dívidas, impactando crédito futuro e qualidade de vida.
Para se proteger desse ciclo, é fundamental adotar hábitos simples, priorizando sempre a saúde financeira sobre o desejo imediato.
Apesar da projeção de crescimento para R$ 254.052 milhões em gastos no varejo até 2027, o volume de itens por compra tende a cair. Essa vigilância constante do orçamento pessoal será essencial para não se deixar levar por ofertas e facilidades de crédito.
O sucesso no controle do impulso de comprar está na gestão responsável do dinheiro, no planejamento rigoroso e na conscientização sobre os verdadeiros valores. Evite ficar refém de desejos momentâneos e conquiste a liberdade financeira que você merece.
Referências